Onde foram parar os nossos
frades-de-pedra?

             

Nos primórdios de Porto Alegre, bem antes da chegada do automóvel, havia dezenas de frades-de-pedra, principalmente nas esquinas da cidade. Eram colunas esculpidas em granito, com oito lados, medindo 1,30m de altura por 40cm de diâmetro, com a parte superior arredondada em formato de cabeça, daí a origem do nome.

Há duas versões para a sua utilidade.

A primeira seria para proteger as casas dos estragos provocados por carroças desgovernadas.

A segunda, para amarrar os animais de tração.

Hoje, só conheço a localização de meia dúzia deles. Três estão no Parque Farroupilha, dois no Parque Marinha do Brasil e um junto à Praça Argentina, em frente à antiga Escola de Engenharia(foto). Não se sabe onde foram parar os demais. Consta que a cidade de Rio Pardo conta com 13 unidades devidamente preservadas.

Esses marcos foram muito populares em sua época. Deu origem até a uma expressão vez por outra usada ainda hoje: “É tão vergonhoso que faria corar até um frade-de-pedra”.

Há também a história de que, na primeira metade do século passado, alguém deixou um burro amarrado na Av. João Pessoa, o qual, soltando-se, foi parar no pátio da vizinha Faculdade de Direito. Dizem que o diretor, que seria o professor Armando Câmara, ao ver a besta pastando no recinto, teria bradado: - Bedel! Bedel! Tire este animal daqui, senão, dentro de cinco anos, ele veste a toga e recebe o diploma de bacharel!

Texto: Antônio Goulart Diretor Cultural da Associação Riograndense de Imprensa – ARI  -  Foto: Ayres Cerutti