A Copa tem outros capítulos
 ... além de futebol!

 

Nesta copa, em 2014, a cidade de Viamão, cidade contígua a Porto Alegre, recebe a delegação do Equador, que ficará hospedada enquanto estiver no Brasil.

 

Na primeira Fase, participando do Grupo E, o Equador enfrentará a Suíça (15/06) em Brasília; Honduras (20/06) em Curitiba e França (25/06) no Rio de Janeiro). Se tivermos sorte, e vamos torcer para isso, Equador avança à fase seguinte. Para isso, precisa ficar entre as duas primeiras colocadas do grupo.

A importância da vinda dessa seleção vai muito além da sua participação na Copa, apesar de seus jogos serem fora do Rio Grande do Sul. A história nos remete à cidade de Wangen, na Alemanha, que recebeu a seleção de Togo em 2006.

 

Wangen é uma cidade histórica, com 1200 anos, localizada na tríplice fronteira – Alemanha, Áustria e Suíça - uma região belíssima.

A pequena cidade viveu intensamente a atmosfera do Mundial e ganhou projeção. O atual prefeito da cidade alemã de Wangen, Michael Lang relatou a negociação, os preparativos para se firmar como Centro de Treinamento, a experiência e a interação da população com a equipe africana. Era nítida sua empolgação ao contar uma história que ele intitulou de “conto de fadas de verão (verão na Alemanha)”.

“As grandes equipes não querem ir para uma cidade pequena, mas podíamos oferecer uma casa cheia de amor e de carinho e foi isso que oferecemos.

Wangen, uma cidade de menos de 30 mil habitantes, no sul do país e que não foi sede da Copa, estava determinada a participar de alguma forma do evento. Contando com hotel de luxo, campo de futebol no padrão, várias opções de atividades físicas e de lazer, Wangen conseguiu se qualificar para o catálogo de Centros de Treinamento de Seleções da FIFA e passou do status de "opção” para o status de “escolhida”.
E investiu, com foco bem definido. A cidade se mobilizou.

A preparação

O “sim” de Togo deu início a uma verdadeira transformação em Wangen. Uma mudança de ambiente e de cultura: pouco a pouco, a cidade ganhou as cores do país africano. As lojas se encheram de produtos que remetiam a Togo, postes ganharam bandeiras da seleção visitante, os jardins passaram a ter composições de flores em vermelho, amarelo e verde. Um site foi criado para apresentar o país africano aos alemães. As escolas prepararam lições especiais para as crianças sobre a história e a cultura do país. Refeições típicas de Togo começaram a ser produzidas. A população entrou no clima. “A cidade precisa ter também entusiasmo pelo futebol, nossa cidade tem muito disso”, acrescentou o prefeito.

 

A recepção

A chegada da delegação marcou o dia 15 de maio de 2006. Os alemães lotaram as ruas para receber os africanos. Com as bandeirinhas de Togo levantadas, os anfitriões organizaram uma recepção calorosa, com o objetivo de fazer jogadores e comissão técnica se sentirem em casa.

Os treinos foram acompanhados de perto pelos moradores. O jogo-teste entre o time da cidade e a seleção de Togo foi acompanhado por 10 mil pessoas, mais de um terço da população. Wangen entrou no mapa da cobertura esportiva. “Havia 130 jornalistas na cidade. Nossa cidade ganhou muita coisa, ficou muito conhecida em Togo e na Alemanha”, disse Lang.

 

 

A Copa

O resultado na Copa não foi nem de longe o que sonhavam os togoleses: três derrotas na fase de grupos – para Coreia do Sul, Suíca e França – e eliminação. Mas apoio dos alemães de Wangen não faltou em nenhum momento. “Organizamos caravanas para que as pessoas pudessem acompanhar os jogos de Togo onde eles jogassem na Alemanha. Fizemos uma recepção cada que vez que eles voltavam de uma partida”, explicou o prefeito.

A tristeza com a eliminação foi minimizada pelo carinho em Wangen. No dia da despedida, em 24 de junho de 2006, uma grande festa africana foi organizada. “O adeus a Togo levou sete mil pessoas para o centro da cidade. Tocamos música africana, levamos dançarinos. Elefantes africanos jogaram futebol na parte antiga da cidade. Agradecemos por eles estarem na nossa cidade”, contou.

Em 2014, os togoleses não virão ao Brasil. A equipe não conseguiu chegar à fase final das Eliminatórias da África. 

Mais que futebol

Michael Lang explicou que os laços entre Wangen e Togo foram muito além do futebol.

“A Copa do Mundo de 2006 foi para nós um conto de fadas de verão. Recebemos a seleção de Togo e a passagem deles por nossa cidade foi uma experiência maravilhosa”, lembra o prefeito alemão.

A cidade alemã encabeçou vários projetos sociais em benefício da população do país africano. Houve ajuda médica, apoio a programas escolares. As causas humanitárias voltadas para Togo – que persistem até hoje, segundo o prefeito - renderam prêmios internacionais para Wangen.

“Receber uma seleção é algo muito positivo. Isso cria entusiasmo entre os fãs, é uma coisa viva. Ter a equipe dentro da cidade torna mais fácil viver a Copa do Mundo, porque nem todas as cidades podem ser sede. A amizade e o entusiasmo, além da parte cultural e humana, mobilizam as pessoas.

Acredito que não exista melhor oportunidade para promover uma cidade do que estar envolvida com a Copa do Mundo da FIFA.

 Foi uma história maravilhosa”, resumiu




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