Yuri Victorino

Nas primeiras décadas do século vinte, Porto Alegre foi uma cidade horizontal, onde as torres da Igreja das Dores dominavam a paisagem em meio a um casario modesto. Neste contexto a influência da arquitetura colonial portuguesa diminuía, sendo substituída por determinado estilo que misturava elementos da arquitetura germânica a diversas outras tendências europeias. Época de prédios Imponentes.

Porto Alegre dinamizava sua economia, já que sua localização, próxima a uma bacia fluvial e conectada ao interior por uma rede ferroviária, tornava-a elo privilegiado de ligação entre sul e centro do país.

A principal via da cidade, a Rua da Praia, transformava-se no local em que ia toda a gente que quisesse ver e ser vista. Uma grande quantidade de bares, casas de chá e cafés oferecia-se às pessoas que descansavam ou simplesmente apreciavam o "footing". É nessa panorâmica que houve o crescimento da hotelaria em Porto Alegre.

A potencialidade do setor foi percebida pelo empresário Horácio de Carvalho, homem ligado ao ramo da importação e exportação, que em 1913, entrou na Intendência Municipal com um pedido de licença para a construção do edifício do futuro hotel Magestic.

A seguir, contratou a firma do engenheiro Rudolf Ahrons, ficando o projeto a cargo do arquiteto alemão Theodor Alexander Josef Wiederspahn.

A principal via da cidade, a Rua da Praia, transformava-se no local em que ia toda a gente que quisesse ver e ser vista. Uma grande quantidade de bares, casas de chá e cafés oferecia-se às pessoas que descansavam ou simplesmente apreciavam o "footing". É nessa panorâmica que houve o crescimento da hotelaria em Porto Alegre.

A potencialidade do setor foi percebida pelo empresário Horácio de Carvalho, homem ligado ao ramo da importação e exportação, que em 1913, entrou na Intendência Municipal com um pedido de licença para a construção do edifício do futuro hotel Magestic.

A seguir, contratou a firma do engenheiro Rudolf Ahrons, ficando o projeto a cargo do arquiteto alemão Theodor Alexander Josef Wiederspahn.

Foi o mesmo arquiteto que projetou a Delegacia Fiscal (MARGS), Correios e Telégrafos (Memorial do Rio Grande do Sul), Secretaria da Fazenda, Edifício Ely (Tumelero), Cervejaria Bopp (Brahma), e muitos outros prédios e residências que marcaram época. O projeto do Hotel foi considerado muito ousado para a cidade, pois a ideia das passarelas suspensas sobre a via pública era inédita por aqui.

Primeiro grande edifício de Porto Alegre em que se utilizou concreto armado, foi concebido para ocupar os dois lados da Travessa Araújo Ribeiro. Interligando a construção, grandes passarelas, embasadas por arcadas e, contendo terraços, sacadas e colunas.

Em 1916 iniciaram-se as obras, concluindo em 1918 a primeira parte do edifício. Em 1926 foi projetada a parte leste. Ao finalizar a obra, em 1933, o Majestic possuía sete pavimentos na ala leste e cinco na parte oeste. O estilo do prédio mistura formas, procurando dar uma impressão de grandiosidade.

Os tempos áureos do Majestic

 

Inicialmente administrado por Horácio de Carvalho, a vida do Hotel Majestic iniciou realmente em 1923, com o arrendamento do prédio aos irmãos Masgrau, imigrantes espanhóis que se estabeleceram no Brasil e ligaram-se ao ramo da importação e exportação.

O Hotel transformou-se em um marco histórico no desenvolvimento e modernização de Porto Alegre, com uma localização privilegiada, quase às margens do Guaíba que, na época, ia até onde atualmente é a Av.Mauá. Um trapiche trazia diretamente os hóspedes ao Hotel.

Os anos trinta e quarenta foram os de maior sucesso do Majestic. Porto Alegre dispunha de muitos atrativos e várias companhias de revista por aqui transitavam, seguindo depois para Montevideo e Buenos Aires. O Hotel hospedou desde políticos importantes como Getúlio Vargas a vedetes famosas como Virginia Lane e artistas como Francisco Alves, na época o maior cantor do Brasil.

O caso de uma época

Nos anos cinquenta e sessenta iniciou-se o processo de popularização do Hotel. O período denominado de "desenvolvimentista" não foi bom para o Majestic, que, vítima da desfiguração que atingiu o centro da maioria das cidades, ainda sofria a concorrência de novos hotéis, com instalações mais modernas e amplas.

Além de tudo, a antiga localização, antes privilegiada, agora era problemática. As elites saíram do centro e foram instalar-se em bairros diferenciados. O centro tornou-se local de serviços diurnos, com um comércio agitado que fechava suas portas à noite, quando a rua dos Andradas transformava-se em local não tão apreciado. As pessoas não viajavam mais nos vapores, o muro da Mauá impedia o acesso livre ao porto e a construção da nova rodoviária proporcionara o surgimento de vários hotéis a sua volta.

Ao final, dos trezentos quartos, passou a ter funcionando pouco menos de cem. O edifício foi posto à venda na década de setenta e, em dez anos, apenas dois interessados surgiram, os quais desanimaram frente às reais condições do prédio. Mario Quintana hospedou-se de 1968 a 1980.

Da pressão popular surge à Casa de Cultura Mario Quintana

No final dos anos setenta surgiu a discussão entre a população sobre o patrimônio cultural edificado. Uma das consequências foi a realização de um levantamento dos prédios antigos, com o fim de resgatar e preservar sua arquitetura.

Os prefeitos de porto Alegre, a partir de 1983, propuseram projetos para remodelar a área central e o Majestic foi lembrado. 

Em 1980 foi realizado um leilão com os móveis e utensílios do Hotel. No mesmo ano prédio foi adquirido pelo Banrisul. Em 1982 o governo do Estado incorpora o Majestic, iniciado sua transformação em Casa de Cultura, agregando o nome do poeta Mário Quintana.

A obra de transformação física do Hotel em Casa de Cultura levou três anos. O projeto arquitetônico foi assinado pelos arquitetos Flávio Kiefer e Joel Gorski, os quais tiveram o desafio de planejar 12.000 m2 de área construída para a área cultural. Em 25 de setembro de 1990 a casa foi finalmente aberta.

Durante décadas o colecionador José Alberto Junges vem resgatando peças relacionadas ao Hotel Magestic. São talheres, louças, impressos, documentos e correspondências. Os itens hoje são raros, já que não se tem notícias dos demais que foram leiloados na década de 1980.

Para 2017 a Casa de Cultura acena a possibilidade de remodelação do espaço expositivo do Magestic, quando os itens do colecionador Junges poderão abrilhantar o conjunto das outras peças pertencentes ao acervo da CCMQ. A futura Exposição deverá retratar os áureos tempos do Magestic.

Fontes:

Carvalho, Haroldo Loguercio. A modernização em Porto Alegre e a modernidade do Majestic Hotel.
Dissertação de Mestrado na área de História do Brasil apresentada ao curso de pós-Graduação em História. PUCRS, Porto Alegre, 1994.

Silva, Liana Koslowsky. Majestic Hotel: memórias de um monumento. Porto Alegre: Ed.Movimento, 1992.
Museus - duas décadas de arquitetura. Casa de Cultura Mário Quintana
. Suplemento técnico. Revista Brasileira de Arquitetura, Planejamento, desenho industrial e construção. s/data.

http://www.ccmq.rs.gov.br/novo/hotel/centro.php  <acessado em 01/12/16>